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Dançar mantém seu cérebro em forma

Entenda como dançar mantém seu cérebro em forma

Com o passar do tempo, nossas habilidades físicas e mentais se lentificam.

Em alguns casos, esta situação é mais grave e, para algumas pessoas, podem surgir doenças como Parkinson e Alzheimer.

Porém a ciência confirma que dançar não é apenas um excelente exercício físico, mas também benéfico para o equilíbrio psicológico.

Sabemos que a dança estimula a produção de serotonina, o que nos ajuda a reduzir o estresse e causa uma agradável sensação de bem-estar e relaxamento.

Não há dúvida de que dançar nos faz mais felizes.

Além disso, a dança funciona como uma rede de proteção para o nosso cérebro, ajudando-nos a preservar as funções cognitivas.

Dança e funções cognitivas

A dança parece ser uma intervenção promissora para melhorar o equilíbrio e a estrutura cerebral em idosos.

Ela combina a manutenção do exercício físico, as habilidades sensoriais motoras e outras funções cognitivas, como memória, atenção, planejamento, etc, além de apresentar um baixo risco de lesão.

Um estudo muito interessante realizado na Albert Einstein College of Medicine, de Nova York, provou pela primeira vez o enorme impacto que a dança tem sobre a saúde do nosso cérebro.

Na pesquisa, foram analisados 469 idosos durante 5 anos para descobrir como suas atividades físicas ou recreativas influenciaram na sua flexibilidade cognitiva.

Os pesquisadores analisaram atividades, como ler livros, escrever por prazer, fazer palavras cruzadas, jogar cartas e tocar instrumentos musicais.

Eles também observaram o impacto das atividades físicas, como jogar tênis ou jogar golfe, nadar, andar de bicicleta, dançar, caminhar e cuidar das tarefas domésticas.

Como resultado, perceberam que algumas atividades não tinham ganhos cognitivos, enquanto outras pareciam evitar o declínio cognitivo.

A leitura diminuiu o risco de demência em 35% e fazer palavras cruzadas pelo menos 4 dias por semana reduziu esse risco em 47%.

Já as atividades físicas demonstravam, apesar dos excelentes ganhos para a saúde, pouco em relação a cognição, diferente da dança.

Idosos que dançavam frequentemente tinham 76% menos probabilidade de sofrer de demência e preservavam melhor suas funções cognitivas.

A Universidade de Magdeburgo, na Alemanha, também apresentou um estudo que investigou os efeitos da dança no cérebro.

Na pesquisa, neurocientistas trabalharam com 52 idosos, sendo que metade deles foi designada para um grupo de dança e a outra metade fez exercícios físicos.

Após 1 ano e meio, as pessoas que dançavam apresentaram um aumento no volume do hipocampo, que geralmente se deteriora com o avanço dos anos e é fundamental na memória, aprendizagem e equilíbrio.

No entanto, a coisa mais surpreendente foi que também houve mudanças importantes no subículo, uma melhoria que não aconteceu aos participantes que estavam limitados ao exercício físico.

O subículo é uma área do hipocampo relacionada com a memória operacional e o processamento da informação espacial e de movimento, e é uma das primeiras a ser danificada em casos de demências e é de onde saem as projeções para o córtex pré-frontal e amígdala, sendo vital para controlar as nossas emoções e tomar decisões racionais.

Por que dançar é benéfico para o nosso cérebro?

Antes de tudo é necessário compreender como ocorre o declínio cognitivo.

Basicamente, quando os neurônios morrem e as sinapses enfraquecem, perdemos o acesso às informações ou habilidades que foram “armazenadas” nessa área.

O processo de morte neural não pode ser parado, mas podemos criar outros processos paralelos para contornar o envelhecimento cerebral.

E isso pode ser feito cultivando desde cedo uma complexidade sináptica que forneça a base para o nosso cérebro ser constantemente reestruturado.

Falando de outra forma, podemos dizer que quantas mais pontes nós construímos em nossa juventude para cruzar para o outro lado do rio, mais fácil será atravessar quando atingirmos a idade avançada, pois o nosso cérebro estará acostumado a se reestruturar e procurar por novas estradas neuronais.

A dança contribui para essa plasticidade cerebral, pois integra diferentes funções cerebrais ao mesmo tempo, melhorando a conectividade neuronal.

Além disso, dançar também estimula o Fator Neurotrófico Derivado do Cérebro, uma proteína que intervém no nascimento de novas células nervosas.

Portanto, ela não apenas potencializa o crescimento de novos neurônios, mas também ajuda a consolidar novas vias neuronais que suprirão nossas reservas cognitivas.

Clínica de Psicologia Nodari
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