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Entenda como a reclamação afeta você e as pessoas a sua volta

Saiba porque reclamar é tão prejudicial à saúde.

Quantas vezes você se queixou hoje? Você é uma pessoa que gasta muito tempo com reclamação? E quando está sem ninguém por perto, as reclamações rondam a sua cabeça mesmo assim?

Se sua resposta a essas perguntas for sim, você pode estar contribuindo para o seu próprio estresse.

Reclamar demais prejudica a saúde

Existem muitos fatores que influenciam o estresse, e um deles é o nosso próprio comportamento em relação à realidade que nos rodeia.

Claro, muitas vezes, nos sentimos sobrecarregados e precisamos expressar esse sentimento de alguma forma.

Mas, na maioria dos casos, as queixas são só lamentos que não produzem nenhuma mudança positiva em nossa vida. Ao contrário, as reclamações podem ter um impacto realmente negativo sobre nós — e sobre as pessoas ao nosso redor.

E se você fizer isso continuamente, seu corpo pode interpretar essas queixas como uma ameaça.

Nesse caso, a resposta ao estresse pode ser ativada, liberando o cortisol para a corrente sanguínea, com o consequente efeito negativo na sua saúde.

O Dr. Travis Bradberry — Ph.D. em Psicologia Clínica e autor do best-seller Inteligência Emocional 2.0 — esclarece como se dá essa relação:

“Quando você reclama, seu corpo libera o hormônio do estresse, cortisol. O cortisol muda você para o modo lutar ou fugir, direcionando oxigênio, sangue e energia para longe de tudo, exceto dos sistemas que são essenciais para a sobrevivência imediata. 
Um efeito do cortisol, por exemplo, é aumentar a pressão arterial e o açúcar no sangue para que você esteja preparado para escapar ou se defender. 
Todo o cortisol extra liberado por reclamações frequentes prejudica o sistema imunológico e o torna mais suscetível ao colesterol alto, diabetes, doenças cardíacas e obesidade. Até torna o cérebro mais vulnerável a derrames.”*


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Quando a reclamação é um hábito

Outra questão que devemos ter em mente é que a repetição desse hábito pode se tornar um padrão de comportamento.

Em tudo aquilo que praticamos, acabamos nos tornando bons.

Portanto, se o que praticamos diariamente é a reclamação, nos tornaremos especialistas.

Do ponto de vista neurológico, o padrão de comportamento pode ser explicado da seguinte forma:

Através do seu cérebro há uma coleção de sinapses separadas por um espaço vazio chamado “fenda sináptica”.

Toda vez que você pensa, uma sinapse dispara mediadores químicos através da fenda para outra sinapse, construindo assim uma ponte sobre a qual um impulso elétrico pode atravessar, carregando em sua carga a informação relevante do que você está pensando.

Cada vez que esta carga elétrica é ativada, as sinapses se aproximam umas das outras para diminuir a distância que a carga deve atravessar.

De alguma forma, o cérebro está “religando” seu próprio circuito para tornar mais fácil a conexão das sinapses, facilitando a ativação do pensamento.

Dito de outra forma: quando você repete um comportamento, o cérebro entende que você gosta e permite que ele se torne automático.

A Dra. Liza Varvogli (Ph.D. em Psicologia pela Universidade de Harvard e professora de gerenciamento de estresse) explica tal círculo vicioso da seguinte forma:

“O cérebro humano adora familiaridade e eficiência — logo, seu cérebro ele se acostuma com a forma como você o ‘alimenta’ e busca por repetições. 
Em outras palavras, quanto mais você reclama, mais torna este o modo padrão de operação do seu cérebro. 
Os neurônios que lidam com as informações negativas dispararão juntos e, com a prática, criarão uma nova via neuronal de negatividade. 
Uma vez que esse padrão seja estabelecido, cada vez que você se depara com uma nova situação — ou precisa interpretar experiências que vivencia — o circuito de neurônios estabelecido irá processá-lo da maneira que sabe fazer: por meio de reclamações e pessimismo. 
O pensamento negativo está relacionado a sentimentos e emoções negativos e, uma vez que você os cultive, eles se tornarão parte de quem você é, e esta será a sua vida.”*


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Efeitos da reclamação nas pessoas próximas

Outra razão para repensarmos nossas reclamações é o efeito que causamos aos outros.

Acabamos sendo invadidos por este estado de espírito. E devemos lembrar as emoções são contagiosas — tanto positiva quanto negativamente.

Além disso, esse contágio emocional da reclamação se torna uma fonte de estresse.

Se contagiamos uns aos outros por meio de reclamações contínuas no trabalho, por exemplo, o clima no ambiente acabará sendo insalubre.

Uma pesquisa do Departamento de Psicologia Biológica e Clínica da Universidade Friedrich Schiller, na Alemanha, afirma que a exposição a estímulos emocionais negativos, como o são as reclamações em geral, pode causar as mesmas reações emocionais experimentadas quando estamos extremamente estressados.

Já outras pesquisas científicas indicam que a negatividade é contagiosa, semelhante ao contágio de um resfriado.

O Framingham Heart Study é um projeto que, desde 1948, coleta regularmente informações médicas e sociais de milhares de pessoas em Framingham, Massachusetts (EUA). O projeto descobriu que sentimentos como solidão ou negatividade parecem ser tão contagiosos quanto as doenças virais.

Um estudo que aborda “Os 10 comportamentos mais irritantes no local de trabalho”, do pesquisador Dr. Pier Massimo Forni, da Universidade Johns Hopkins (Baltimore, EUA), indica na sexta posição o hábito de se comportar negativamente.

De acordo com Forni, “é muito difícil trabalhar perto de alguém que está permanentemente com raiva e que todos sabem que ele odeia o seu trabalho”.

Embora o comportamento agressivo não seja direcionado a ninguém em particular, uma pessoa que passa o dia batendo no teclado ou xingando cria um ambiente de trabalho muito desconfortável.

“Não reclamar, às vezes, é uma demonstração de tolerância ou paciência.” — Mokokoma Mokhonoana


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Quando a reclamação se torna um hábito, tanto a pessoa que reclama demais quanto aqueles que convivem com ela sofrem as consequências negativas.

Alternativas saudáveis à reclamação

Observe a si mesmo. Tente perceber quando você reclama de forma excessiva, causando desconfortos desnecessários. Pode ter se tornado um hábito e você pode nem estar ciente de que está fazendo isso.

Para tornar-se consciente e poder mudar sua atitude, as práticas de meditação podem ser úteis, pois nelas prestamos atenção aos nossos pensamentos e emoções. Com tais práticas, podemos conhecer nossas tendências e padrões de pensamento e esse é o primeiro passo para poder mudar.

Quando nós treinamos para dedicar alguns minutos por dia à nossa própria observação, nos conhecemos mais e ficamos mais conscientes dos nossos pensamentos, nossas emoções e nossos comportamentos.

Assim, podemos tomar nota dos momentos em que nos queixamos, as emoções que esses pensamentos nos causam e avaliar se eles realmente agregam valor à nossa vida ou, ao contrário, a estão dificultando. É quando podemos escolher agir de outra maneira.

“Pare de ficar desapontado sobre onde você está e comece a ser otimista sobre para onde você está indo.” — Jon Gordon

Para facilitar sua auto-observação, sugerimos que você adote a técnica do bullet journal. O sistema facilita o registro de anotações e é bastante recomendado por terapeutas.

Outra alternativa à reclamação é exercitar atitudes de gratidão. “Ou seja, quando você sentir vontade de reclamar, mude sua atenção para algo pelo qual você é grato”, instrui Travis Bradberry.

Se você considera a sugestão pouco convincente, pode mudar de ideia ao saber o que a ciência já descobriu sobre os efeitos da gratidão para a saúde mental.

O Dr. Travis Bradberry, em artigo publicado no site da da TalentSmart, apresenta alguns dados interessantes:

“Reservar um tempo para refletir sobre o que você é grato não é apenas a coisa certa a fazer; reduz o cortisol, o hormônio do estresse em 23%. Pesquisa conduzida na Universidade da Califórnia, Davis, descobriu que pessoas que trabalharam diariamente para cultivar uma atitude de gratidão melhoraram o humor e a energia e substancialmente menos ansiedade devido aos níveis mais baixos de cortisol. Sempre que você tiver pensamentos negativos ou pessimistas, use isso como uma dica para mudar de marcha e pensar sobre algo positivo. Com o tempo, uma atitude positiva se tornará um estilo de vida.”*


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* Tradução nossa.

Clínica de Psicologia Nodari
Especializada em Terapia Cognitivo-Comportamental (TCC)
Atendimentos Particulares em Psicoterapia e Avaliação Neuropsicológica

Está localizada na Vila Mariana, São Paulo/SP
11 99725-4565

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