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Esquizofrenia: o que é, quais suas causas, sintomas e tratamento

O que é esquizofrenia

A esquizofrenia é um transtorno mental caracterizado pela perda de contato com a realidade. Saiba quais são seus sintomas, causas e tratamentos.


Tópicos abordados neste texto:


O que é esquizofrenia

A esquizofrenia é um transtorno mental grave e crônico, que afeta cerca de 1,1% da população mundial.

Na origem etimológica do termo, encontramos a síntese da principal característica do distúrbio — a ruptura com a realidade.

A palavra, cunhada pelo psiquiatra Eugen Bleuler, no início do século 20, soma duas expressões gregas: skhizein (cujo significado é fender, rasgar, dividir, separar) e phrên ou phrênios (que pode ser traduzida como pensamento, mente).

Dessa explicação, podemos depreender o motivo pelo qual a perturbação é também conhecida como distúrbio da mente dividida.

Ou seja, pessoas com esquizofrenia sofrem com sintomas — delírios, alucinações, pensamentos e comportamentos desordenados — que comprometem sua interpretação e interação com o real.

Como resultado, acabam enfrentando sérias dificuldades em diversos aspectos de sua vida prática, incluindo relacionamentos e atividades profissionais.

Embora não haja cura para a esquizofrenia, há muita pesquisa sobre o transtorno. Isso possibilita tratamentos cada vez mais eficazes e seguros.

Saiba mais detalhes sobre os sintomas, causas e tratamento da esquizofrenia, na sequência deste texto.

Principais sintomas da esquizofrenia

Os sintomas de esquizofrenia dividem-se em duas classificações: sintomas positivos e sintomas negativos.

Para entendermos essa distinção de uma forma simples, podemos conferir a explicação de Christoph U. Correll e Nina R. Schooler, no artigo Sintomas negativos na esquizofrenia: uma revisão e um guia clínico para reconhecimento, avaliação e tratamento (Negative Symptoms in Schizophrenia: A Review and Clinical Guide for Recognition, Assessment, and Treatment):

“Enquanto os sintomas positivos refletem um excesso ou distorção da função normal (por exemplo, delírios, alucinações, comportamento desorganizado), os sintomas negativos referem-se a uma diminuição ou ausência de comportamentos normais relacionados à motivação e interesse (por exemplo, avolição, anedonia, asocialidade) ou à expressão (por exemplo, afeto embotado, alogia).”

Existem, ainda, os chamados sintomas cognitivos, que referem-se aos sinais de disfunção mental, tais como pensamento desorganizado e lacunas na memória (amnésia).

Os primeiros indícios da esquizofrenia aparecem, geralmente, no fim da adolescência ou início da idade adulta — entre 15 e 30 anos.

Por vezes, os sinais são sutis e o desenvolvimento da doença pode passar despercebido por muito tempo. Nesses casos, tanto a pessoa com esquizofrenia quanto aqueles que convivem com ela são capazes de notar que há algo de errado. No entanto, será difícil definir o que se passa.

A informação é corroborada no site da Associação Canadense de Saúde Mental (organização que combate os estigma sobre a saúde mental), que afirma:

“A esquizofrenia, geralmente, começa lentamente. Quando os sintomas aparecem pela primeira vez… podem parecer mais desconcertantes do que graves.
Nos estágios iniciais, as pessoas com esquizofrenia podem perder a capacidade de relaxar, se concentrar ou dormir. Eles podem começar a excluir amigos de longa data de suas vidas. O trabalho ou a escola começam a sofrer; o mesmo acontece com sua aparência pessoal. Durante esse tempo, pode haver um ou mais episódios em que eles falam de maneiras que podem ser difíceis de entender e/ou começam a ter percepções incomuns.
Assim que se instala, a esquizofrenia tende a aparecer em ciclos de remissão e recaída.”

Em outras situações, os sintomas são mais pronunciados e o distúrbio evolui rapidamente. Em tais circunstâncias, o contraste no comportamento tende a estimular a busca por avaliação profissional, favorecendo o diagnóstico e tratamento precoce. Isso permite o controle da doença, evitando complicações mais severas e melhores perspectivas quanto à qualidade de vida.

Para melhor compreensão dos sinais característicos da esquizofrenia, descrevemos, com mais detalhes, alguns dos principais sintomas:

1. Alucinações

Sensações irreais percebidas pelo tato, olfato, paladar, visão e, mais comumente, audição (ouvir vozes).

2. Delírios

Convicções falsas e ilógicas, como acreditar que os pensamentos podem ser controlados por outros, sofrer com a ideia de ser vítima de perseguição, ter a ilusão de possuir poderes fantásticos ou ser uma figura importante (um personagem histórico, uma celebridade, uma entidade religiosa…).

Nota importante: pessoas com esquizofrenia não têm “dupla personalidade”

A ideia de que pessoas com esquizofrenia apresentam “múltiplas personalidades” é um mito que precisa ser erradicado.

No site da WebMed (portal que divulga notícias e informações sobre a medicina e cuidados com a saúde), encontramos o seguinte alerta:

“Uma pesquisa descobriu que 64% dos americanos acreditam que a condição envolve uma personalidade dividida, o que significa que alguém age como se fossem duas pessoas diferentes.
Alguns dos sintomas mais comuns da esquizofrenia são alucinações e delírios, que incluem ouvir vozes em sua cabeça e agir com base em crenças falsas. Isso não é o mesmo que transtorno de personalidade múltipla ou, mais precisamente, transtorno dissociativo de identidade (TDI).
Uma pessoa com esquizofrenia não tem duas personalidades diferentes. Em vez disso, eles têm ideias falsas ou perderam o contato com a realidade. O transtorno de personalidade múltipla não está relacionado.”

3. Discurso desorganizado

Pensamentos confusos, “nebulosos”, que resultam na dificuldade de manter uma conversa coerente.

A fala pode se apresentar sem sentido, com mudanças abruptas de assunto, uso de palavras inventadas, obsessão com rimas ou repetições de afirmações, por exemplo.

4. Alogia

No artigo A conceituação atual de sintomas negativos na esquizofrenia (The current conceptualization of negative symptoms in schizophrenia), Stephen R. Marder e Silvana Galderisi explicam o significado de alogia:

“Alogia é definida como uma redução na quantidade de fala e em sua elaboração espontânea. (…) No PANSS [Escala das Síndromes Positiva e Negativa], o sintoma é denominado ‘falta de espontaneidade e fluxo de conversa’ e descrito como uma diminuição no fluxo normal de comunicação associada à apatia, avolição, defensividade ou deficiência cognitiva.”

5. Distúrbios do movimento

Tais distúrbios são expressos por meio de catatonia (postura rígida, estagnada, que se mantém por horas), comportamento agitado e anormal, excessiva lentidão ou gestos repetitivos.

6. Embotamento afetivo

Significativa redução da expressão de emoções. Esse sintoma faz com que o esquizofrênico pareça anestesiado, indiferente a situações e conversas. Reações — como riso, choro, demonstração de interesse — se ausentam, revelando uma apatia ou inadequação de respostas.

7. Dificuldades cognitivas

Problemas de concentração, memória, inabilidade de compreender instruções e tomar decisões.

8. Avolição

Perda da motivação e impulso para realizar atividades triviais, que incluem ações de autocuidado.

Alguns sintomas podem estar associados a esquizofrenia.
Embotamento afetivo, avolição e retraimento social são exemplos de sintomas que podem estar associados à esquizofrenia.

9. Anedonia

Incapacidade de experimentar prazer.

10. Retraimento social (associabilidade)

Desinteresse quanto ao convívio com outras pessoas.

“Em pessoas com esquizofrenia, a associalidade é atualmente definida como uma redução na iniciativa social devido à diminuição do interesse em formar relacionamentos próximos com outras pessoas. Não deve ser definido em termos puramente comportamentais (ou seja, se o sujeito tem ou não interações sociais e relacionamentos próximos), mas principalmente como uma redução na motivação para contatos sociais (ou seja, se o sujeito valoriza e deseja interações sociais e laços sociais próximos).
Uma redução nas atividades e contatos sociais pode ser secundária a fatores como delírios e alucinações, que podem deteriorar relacionamentos e outros laços sociais; desconfiança ou humor deprimido, que podem induzir o afastamento da vida social; ou falta de oportunidades para estabelecer e manter relações sociais.”
— Stephen R. Marder e Silvana Galderisi

Padrões e gravidade dos sintomas variam, de indivíduo para indivíduo.

Para considerar o diagnóstico de esquizofrenia, o Manual de Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais (DSM-5) instrui que sejam observados, pelo menos, dois desses sintomas, sendo um deles, necessariamente, reconhecido como alucinação, delírio ou discurso desorganizado.

Causas da esquizofrenia

Não há consenso sobre as causas da esquizofrenia. Mas pesquisas sugerem que se trata de um problema biológico, caracterizado pelo funcionamento irregular de funções cerebrais.

Acredita-se que essa disfunção seja resultante de fatores como:

  • predisposição genética;
  • complicações na gravidez ou durante o parto;
  • infecções virais;
  • desequilíbrio na produção de neurotransmissores, como dopamina e glutamato.

Eventos estressantes, alterações hormonais e físicas (como as que ocorrem na adolescência) e abuso de drogas (maconha, cocaína, LSD ou anfetaminas) podem desencadear a doença em pessoas vulneráveis (devido aos genes ou química cerebral).

Tratamento da esquizofrenia

Uma vez que as causas da esquizofrenia são imprecisas, o tratamento do distúrbio está centrado no controle dos sintomas.

Para tanto, a abordagem costuma combinar medicação, terapia e recursos que garantam apoio social.

Medicamentos antipsicóticos são eficientes para reduzir ou eliminar sintomas, mas podem trazer efeitos colaterais desagradáveis. Logo, é importante cuidar para que o paciente não interrompa o tratamento.

Os remédios precisam ser administrados de forma correta e contínua, pois a suspensão desses pode ocasionar novas crises.

O tratamento psicológico, por sua vez, ajuda pessoas com esquizofrenia a lidar melhor com os sintomas, desenvolver habilidades de enfrentamento e descobrir os gatilhos dos comportamentos indesejados.

A qualidade de vida e adaptação social também é beneficiada quando o paciente adere a grupos de apoio, nos quais pode partilhar suas experiências e aprender, com outros indivíduos acometidos pela doença, a desenvolver estratégias de autoajuda.

Familiares e pessoas próximas desempenham papel fundamental. Portanto, o ideal é que contem com muita informação sobre a esquizofrenia, com objetivo de lidar corretamente com o transtorno nos momentos de crise, auxiliar na promoção de um estilo de vida saudável e, principalmente, evitar preconceitos sobre a condição.

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Comentários

2 respostas

    1. Oi, Vilma!
      Ficamos lisonjeados com seu comentário!
      Muito obrigada por nos prestigiar com sua visita ao site.
      Sinta-se sempre bem-vinda por aqui!

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