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Por que não devemos segurar as lágrimas?

Por que não devemos segurar as lágrimas

Chorar é bom para o nossa saúde mental. Ou seja, segurar as lágrimas — algo que tantas vezes tentamos fazer — pode ser menos benéfico do que imaginamos. Entenda os porquês.


Pode parecer um paradoxo, mas chorar é bom para o nosso bem-estar.

Quando pensamos de forma racional sobre o assunto, pode ser difícil compreender que o choro, um ato que normalmente associamos com tristeza ou frustração, pode ter alguma relevância para o bem-estar.

No entanto, as lágrimas — que muitas vezes nós nos esforçamos para suprimir, por exporem fraqueza e vulnerabilidade — podem realmente ser mais benéficas do que poderíamos imaginar.

Bons motivos para não segurar o choro

Em primeiro lugar, precisamos entender que o choro tem duas funções principais.

Tais funções são devidamente descritas pelos pesquisadores Asmir Gračanin, Lauren M. Bylsma e Ad Vingerhoets no artigo Chorar é um comportamento que acalma a si mesmo? — disponível, em inglês, no jornal acadêmico Frontiers in Psychology.

Traduzimos um trecho do artigo que — de forma resumida — nos permite entender essa “dupla funcionalidade” do choro. Confira:

“O choro tem duas grandes categorias de funções. As funções intraindividuais de choro referem-se aos efeitos que o choro tem sobre o próprio indivíduo que chora. Essas funções intraindividuais estão predominantemente ligadas à redução do estresse e à experiência de melhora e alívio do humor que se segue ao choro, o que as torna importantes para o conceito de autossuficiência.
As funções interindividuais , ao contrário, dizem respeito aos efeitos que o choro tem nas outras pessoas. Teorias que enfatizam esses efeitos sociais do choro enfatizam o valor do sinal de vocalizações de angústia e/ou de lágrimas humanas… Hipóteses mais recentes sobre as funções do choro humano enfatizam que o choro (e especialmente as lágrimas visíveis, porque apenas seus efeitos foram investigados) promove empatia e comportamento pró-social, incluindo estimulação de respostas de cuidado e proteção de outras pessoas, além de facilitar o vínculo social e reduzir a agressão interpessoal.”*

Ou seja, nos valendo do que atesta a ciência, podemos argumentar que temos, pelo menos, dois motivos básicos para não segurar as lágrimas. Afinal, elas favorecem tanto a capacidade de autorregulação quanto a interação com outras pessoas — tão importante nos momentos que precisamos de empatia.

Entenda melhor:

Chorar é uma resposta natural muito eficaz para solicitar atenção e conforto

Na pesquisa que mencionamos, os psicólogos descobriram que as pessoas se sentiam mais ligadas àqueles que tinham uma aparência chorosa e os viam como mais próximos, mais amigáveis ​​e precisando de ajuda.

Não há dúvida de que a tristeza, bem como sua expressão mais universal, as lágrimas, traduzem uma emoção aglutinante.

Quando estamos tristes, somos mais vulneráveis. Mas essa mesma vulnerabilidade permite nos conectarmos melhor com os outros para encontrar o auxílio de que precisamos.

Esse apoio social é muito importante para o nosso bem-estar.

Isso significa que, em alguns casos, não chorar e esconder nossa vulnerabilidade pode nos distanciar das outras pessoas.

É claro que chorar não é a única maneira de obter ajuda. Mas não há dúvida de que nos aproxima de outros — especialmente quando o sofrimento é grande e não há outras palavras para expressá-lo.

O choro nos expõe de forma íntima, gerando laços muito próximos com as pessoas que estão ao nosso lado.

O choro nos liberta

Reprimir as emoções nos faz infelizes.

As emoções que não são comunicadas acabam se tornando um emaranhado no nosso inconsciente, de onde exercem uma influência negativa que afeta nosso bem-estar.

Não ser capaz de expressar nosso desconforto, tristeza ou frustração pode ter um efeito mais negativo do que simplesmente liberar nossas emoções.

Segundo um estudo realizado na Universidade de Stanford, na Califórnia, as pessoas que suprimem suas emoções reagem de maneira mais exagerada à pressão e ao estresse, sem falar que sofrem um aumento na pressão arterial superior do que aquele experimentado por pessoas ansiosas.

Isso indica que uma “aparente calma” não é realmente boa para nosso equilíbrio mental.

Já na Universidade do Sul da Flórida, psicólogos analisaram os efeitos terapêuticos do choro.

A primeira coisa que descobriram foi que 70% das pessoas dizem que chorar é reconfortante. Apesar de se sentirem tristes no início, após o choro recuperaram o equilíbrio e melhoraram consideravelmente o humor — um efeito positivo que durou cerca de 90 minutos.

Sabe-se que o choro é composto por duas fases: a primeira — quando se começa a chorar — tem um efeito de ativação por meio de aumento da frequência cardíaca. Mas imediatamente após a segunda fase, tem um efeito calmante reduzindo a frequência respiratório.

Ainda de acordo com um estudo do Centro Médico St. Paul-Ramsey em Minnesota, nos Estados Unidos, as lágrimas contêm hormônios que representam esgotamento físico e emocional.

Ou seja, além de ser bom emocional e psicologicamente, chorar também é bom para reduzir os níveis de estresse no corpo.

A isso se acrescenta que, quando terminamos de chorar, nossa mente fica mais clara. Por isso poderemos analisar a situação a partir de outro enfoque.

Isso ocorre porque nossas emoções foram equilibradas e nossa mente está pronta para agir.

Portanto, da próxima vez que sentir vontade de chorar, não segure as lágrimas.

Talvez esse momento seja tudo o que você precisa para recuperar a calma, ver as coisas de uma perspectiva diferente ou, simplesmente, se libertar das emoções que estão afetando você.

O poder do choro para melhorar o humor

Em palestra do TED (as legendas em português estão disponíveis no vídeo acima), a educadora Kathy Mendias fala sobre a relação entre o choro e o bem-estar. A seguir, destacamos um trecho de sua fala:

“Embora muitos de nós tentem segurar as lágrimas, chorar pode ser realmente a melhor coisa. Guardar as lágrimas pode aumentar nosso sentimento de raiva ou tristeza.
Chorar é simplesmente incrível… O choro nos oferece uma oportunidade de alívio físico, de intimidade entre duas pessoas e, principalmente, promove bem-estar físico e mental…
Precisamos ter um relacionamento saudável com o choro e mudar a forma como vemos as lágrimas. Nós as vemos como incontroláveis, assustadoras e confusas, quando são, na verdade, belas, calmantes e reconfortantes. Elas não devem ser vistas como um alarme estridente de que algo está errado, mas, sim, como uma funcionalidade natural de nosso corpo incrível.”

Chorar demais faz mal?

Não há uma “medida” exata para o choro ser considerado um problema. Por exemplo, é perfeitamente normal que você chore todos os dias quando está passando por um momento difícil, tal como o processo de luto.

Porém, caso o choro se torne muito frequente, sem que exista um motivo aparente que o contextualize, podemos considerar que as lágrimas passam a significar um problema. Especialmente se as crises de choro se tornarem incontroláveis ou passarem a prejudicar atividades do dia a dia.

A situação oposta — ou seja, a incapacidade de chorar, mesmo quando se tem vontade — também deve chamar a atenção.

Fazemos esse alerta porque tanto o choro excessivo quanto o fato de não conseguir chorar (como forma de expressar emoções) podem ser indícios de que a saúde mental precisa de cuidados.

Portanto, caso você enfrente grande dificuldade para segurar as lágrimas ou, ao contrário, esteja muito incomodado por se sentir incapaz de chorar, considere agendar uma consulta com psicólogo. Lembre-se de que não há um “padrão” para considerar o choro saudável. Mas, se você se sente desconfortável, o profissional, certamente, poderá ajudá-lo.


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