bordeline,limítrofe,transtorno de personalidade limítrofe,transtorno de personalidade,oscilações de humor,comportamento impulsivo

Blog

Post

Sintomas de transtorno de personalidade limítrofe

Borderline: sintomas do transtorno de personalidade limítrofe

Saiba reconhecer os principais sintomas e sinais do transtorno de personalidade limítrofe — também conhecido como borderline.


O transtorno de personalidade limítrofe (TPL), também chamado de borderline, é uma condição psicológica grave, caracterizada por:

  • comportamento impulsivo;
  • instabilidade nos relacionamentos interpessoais;
  • autoimagem distorcida;
  • reações emocionais extremas ou inadequadas;
  • elevados níveis de raiva e hostilidade;
  • sentimentos de vazio;
  • automutilação;
  • medo de abandono;
  • distúrbios cognitivos.

De acordo com a Associação Americana de Psiquiatria (APA), o distúrbio afeta entre 1,6% a 5,9% da população mundial.

Os sintomas costumam aparecer no início da fase adulta e, sem tratamento, podem persistir e se agravar com o passar dos anos.

O estudo Insônia em pacientes com transtorno de personalidade limítrofe (Insomnia in patients with borderline personality disorder), que conta com Jakub Vanek como um dos autores, chama a atenção para algumas das possíveis complicações do TPL:

“Devido aos altos níveis de abuso de substâncias, comportamentos de automutilação, irregularidades de estilo de vida e nutrição, pessoas com transtorno de personalidade limítrofe correm o risco de muitas consequências negativas para a saúde física e doenças crônicas graves, como doenças cardíacas, diabetes, artrite e problemas crônicos de sono. O TPL está associado à obesidade, que tem sido relacionada a muitos outros problemas somáticos de saúde.”*

Uma das estatísticas mais alarmantes diz respeito ao comportamento suicida, desenvolvido por até 80% das pessoas com TPL.

Embora os números sejam impressionantes, é importante enfatizar que, com tratamento e apoio certos, o distúrbio borderline pode ser controlado.

No texto a seguir, você encontrará informações mais detalhadas sobre sinais e sintomas do transtorno de personalidade limítrofe, que podem indicar a necessidade de avaliação por um profissional de saúde.

1. Comportamento impulsivo

A impulsividade é um traço bastante comum de pessoas com transtorno de personalidade limítrofe.

É possível que essa tendência se manifeste em atitudes que impliquem prejuízos à saúde, aos relacionamentos, às finanças ou, ainda, ocasionem problemas de âmbito legal.

Dentre os comportamentos impulsivos — e perigosos — mais frequentes, podemos mencionar:

  • direção imprudente;
  • abuso de drogas e álcool;
  • relações sexuais inseguras;
  • apostas em jogos de azar;
  • compulsão alimentar;
  • furtos em lojas;
  • gastos exagerados com compras.

No estudo Impulsividade autorreferida em mulheres com transtorno de personalidade limítrofe: o papel da gravidade dos maus-tratos na infância e as dificuldades de regulação emocional (Self-reported impulsivity in women with borderline personality disorder: the role of childhood maltreatment severity and emotion regulation difficulties), os autores complementam:

“Esses comportamentos impulsivos ocorrem principalmente sob estresse emocional. Assim, a impulsividade no TPL foi conceituada como uma consequência do mau funcionamento dos mecanismos de regulação da emoção…
(…) a desregulação emocional e a impulsividade também são características essenciais de outros transtornos mentais que, frequentemente, ocorrem em conjunto com o transtorno de personalidade borderline, como o TDAH e o transtorno por uso de substâncias.”*

Como o título da pesquisa sugere, nele discute-se a hipótese de que a impulsividade — como sintoma de borderline — esteja relacionada à ocorrência de maus-tratos na infância.

Sobre esse aspecto, os resultados do estudo sugerem que:

“Maus-tratos na infância podem ter efeitos devastadores no desenvolvimento de regulação emocional e autocontrole saudável e adaptativo…
(…) Embora uma história de trauma não seja necessária nem suficiente para a etiologia [causa] do TPL, descobriu-se que o abuso na infância, especialmente o emocional e sexual, agravava os sintomas do TPL… Ao mesmo tempo, maus-tratos na infância podem colocar os indivíduos em maior risco de desenvolver outras psicopatologias, como TDAH e transtorno por uso de substâncias que, freqüentemente, ocorrem simultaneamente com transtorno borderline.”*


Leitura complementar sugerida: O que é cleptomania?


2. Automutilação e comportamento suicida

O comportamento suicida é caracterizado por ideações, gestos, ameaças e tentativas de tirar a própria vida.

O suicídio, propriamente dito, é cometido por 4 a 9% das pessoas diagnosticadas com transtorno de personalidade limítrofe.

Já a automutilação consiste em tentativas de provocar uma espécie de alívio de emoções intensamente desconfortáveis, por meio de cortes, queimaduras e perfurações na pele.

No artigo Transtorno de personalidade limítrofe, automutilação e suicídio: revisão da literatura (Borderline personality disorder, self-mutilation and suicide: literature review), M. Oumaya — e outros autores — pontuam:

“A automutilação refere-se à destruição ou alteração deliberada e direta do tecido corporal de uma pessoa sem intenção suicida consciente. Esse padrão de comportamento é comum no transtorno de personalidade borderline (50 a 80% dos casos) e freqüentemente repetitivo (mais de 41% dos pacientes fazem mais de 50 automutilações).”*

Nesses casos, o suicídio não é o objetivo. Trata-se de uma válvula de escape, temporária, pois a dor da autoagressão “distrai” — ou externa — sensações e pensamentos perturbadores.

Novamente, podemos recorrer ao texto de M. Oumaya para melhor entender a automutilação com sintoma ligado ao transtorno borderline:

“As funções da automutilação são variáveis: proporciona alívio de estados de humor negativos, reduz a angústia, obtém cuidados de outras pessoas e também de terapeutas e expressa emoções de forma simbólica… As relações entre automutilação e suicídio são paradoxais. Alguns autores identificam a automutilação como fator de proteção contra o suicídio. O comportamento de automutilação pode ser definido como uma forma atenuada de suicídio (‘suicídio focal’). Desse modo, a automutilação desempenha o papel de um ato anti-suicídio, permitindo ao paciente emergir de sua dissociação e sentir que está vivendo novamente. O risco de suicídio não aumentará enquanto a automutilação produzir o alívio esperado. No entanto, a maioria das pesquisas apresenta automutilação como fator de risco para suicídio consumado.”*

Dificilmente a autolesão será realizada na frente de outras pessoas ou revelada à alguém. No entanto, os sinais desse comportamento podem ser percebidos em marcas, feridas ou cicatrizes (geralmente localizados nos braços, pernas, abdômen e couro cabeludo).


Conteúdo relacionado: O que não dizer a uma pessoa que pensa em suicídio


3. Medo de abandono

Medo de abandono e rejeição são experimentados de forma intensa por quem sofre com transtorno de personalidade borderline.

Mesmo quando a relação está bem, sem indícios de conflitos que possam levar à ruptura ou afastamento, o receio é persistente.

Em virtude desse medo, as pessoas com TPL desenvolvem comportamentos que visam manter e comprovar a proximidade de familiares, amigos e parceiros amorosos.

Exemplos desse padrão de comportamento incluem:

  • ligar ou enviar mensagens de texto em quantidade exagerada, reagindo de forma desesperada ou raivosa, caso seja ignorado;
  • apego físico incomum, segurando ou impedindo que a pessoa se ausente (ainda que temporariamente);
  • aflição extrema com distanciamentos breves (como quando a pessoa sai para trabalhar, viajar ou encontrar amigos);
  • fazer chamadas em horários inoportunos, para verificar se a pessoa está disponível e realmente se importa;
  • ameaçar causar danos a si próprio ou cometer suicídio, caso fique sozinha;
  • encerrar o relacionamento abruptamente, numa antecipação ao abandono imaginário.

Como é possível imaginar, tais atitudes acabam, geralmente, causando efeito oposto ao pretendido.

O excesso de cobranças e dependência emocional dificultam a convivência saudável, o que leva os pares a encerrar relações.

Isso implica num círculo de autossabotagem, para quem tem o transtorno borderline, pois o medo do abandono se agrava a cada separação, acentuando os comportamentos inapropriados.

A solução para tal sintoma do transtorno passa, necessariamente, por sessões de psicoterapia, que auxiliarão a compreender as inseguranças e encontrar respostas mais assertivas ao medo.


Sobre esse tópico, veja orientações de psicólogos para aprender como controlar ciúmes e inseguranças.


4. Instabilidade nos relacionamentos

Pessoas com transtorno borderline tendem a ser muito intensas em suas relações. Costumam oscilar entre períodos de idealização e repúdio, em curtos intervalos de tempo.

Não há meio termo. Ora se mostram profundamente apaixonadas, conectadas e felizes na companhia de uma pessoa, ora demonstram aversão, ódio e decepção.

Essa alternância de emoções também é responsável por outro sintoma do transtorno: a curta duração de relacionamentos íntimos, marcados por frequentes discussões, desconfianças e agressões verbais.

A psicóloga clínica Sophie A. Lazarus — junto a outros autores — abordou o assunto no artigo Cedo demais? Sintomas de transtorno de personalidade limítrofe e relacionamentos românticos em adolescentes (Too much too soon? borderline personality disorder symptoms and romantic relationships in adolescent girls). Abaixo, destacamos um trecho do estudo:

“Em relacionamentos românticos adultos, os sintomas de TPL estão associados a padrões não adaptativos de resposta emocional em interações com parceiros românticos, incluindo hostilidade intensificada em resposta a percepções de rejeição e percepções mais instáveis ​​de confiabilidade em interações ameaçadoras. 
Além disso, o transtorno borderline está associado a níveis mais baixos de satisfação no relacionamento. Casais com um parceiro diagnosticado com transtorno borderline relatam níveis mais elevados de angústia, conflito e violência, em comparação com outros casais de controle. 
Este conflito elevado e instabilidade em relacionamentos românticos provavelmente contribui para que aqueles com TPL tenham um maior número de relacionamentos românticos — que também são de menor duração, em comparação com outros.”

A empatia costuma ser uma habilidade bastante falha nos casos de TPL, o que dificulta entendimentos no âmbito pessoal e profissional.

5. Problemas de autoimagem

Da mesma forma que relacionamentos interpessoais são perturbados pela inconstância de sentimentos, a própria autoestima é afetada pelo transtorno de personalidade limítrofe.

Num momento, a pessoa se sente muito satisfeita consigo mesma, tem convicção de seus talentos, valores e objetivos. Numa ocasião seguinte, ela vai ao extremo, se autodepreciando de modo cruel.

Em função dessa instabilidade, pode sentir que não tem uma identidade precisa, mudando de planos profissionais, religião, opiniões e orientação sexual, com significativa frequência.


Leituras sugeridas:


6. Extremas oscilações de humor

Oscilações de humor rápidas e abruptas são sintomas de borderline.
Nos casos de transtorno borderline, podem ser percebidas rápidas e abruptas oscilações de humor.

Diferente do que ocorre nos casos de bipolaridade ou depressão — quando emoções de euforia ou abatimento são fases duradouras —, as mudanças na disposição de uma pessoa com TPL são rápidas e abruptas.

Do entusiasmo a pessoa pode passar para um estado de prostração, em segundos. As sensações podem persistir por minutos, horas ou alguns dias.

São detalhes, que tendem a passar despercebidos por outras pessoas, que ocasionam tais oscilações. É preciso compreender que o transtorno leva à experiência de sentimentos numa intensidade bastante acima do normal.

Outras respostas emocionais comuns são sentimentos crônicos de tédio e vazio, ansiedade e explosões de raiva — por vezes expressa com violência física.

7. Pensamentos paranóicos e dissociação

Em situações de estresse, a pessoa com transtorno de personalidade limítrofe pode se deparar com episódios breves de paranoia, alucinações ou sensação de que está “fora do corpo”, separado de si mesmo ou entorpecido (dissociação).


Eventualmente, vários dos sintomas que listamos se manifestam na vida das pessoas sem que isso, contudo, signifique um distúrbio psicológico.

Quando falamos sobre transtorno de personalidade limítrofe, não nos referimos a tais reações esporádicas. Pessoas com TPL enfrentam uma somatória desses sinais, diariamente.

Ou seja, longe dos episódios representarem momentos de exceção, eles configuram uma realidade contínua.

O diagnóstico não é simples, até mesmo porque os sintomas do transtorno de personalidade borderline podem ser confundidos com outros transtornos mentais. É fundamental, portanto, uma avaliação profissional qualificada, que indicará abordagens de tratamento específicas.

Se você tem dúvidas sobre outros aspectos do transtorno de personalidade limítrofe, registre-as nos comentários.

Nosso intuito, com este blog, é trazer informações esclarecedoras sobre saúde mental e qualidade de vida. Logo, seus questionamentos são essenciais para que possamos continuar oferecendo conteúdo relevante!


Outros textos que podem te interessar:

  • Esquizofrenia: entenda o que é esse transtorno, conheça os sintomas e formas de tratamento.

* Trechos com tradução nossa.

Clínica de Psicologia Nodari
Especializada em Terapia Cognitivo-Comportamental (TCC)
Atendimentos Particulares em Psicoterapia e Avaliação Neuropsicológica

Está localizada na Vila Mariana, São Paulo/SP
11 99725-4565

Comentários

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Clínica de Psicologia Nodari

Nosso blog tem como objetivo trazer textos dicas, ferramentas, informações, enfim, conteúdos que acreditamos que possam ajudar as pessoas a melhorar o seu bem-estar e qualidade de vida. Além de refletir a importância da psicoeducação no processo terapêutico.

Oferecemos atendimentos psicológicos em:

  • Psicoterapia - Terapia Cognitivo Comportamental (TCC) e
  • Avaliações Neuropsicológicas.
  • Outros Posts

    plugins premium WordPress