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Sintomas de depressão: como identificá-lo e quando procurar ajuda?

Entenda os sintomas da depressão e quando for necessário buscar ajuda

Como saber se estou com depressão? Se você tem se feito essa pergunta, provavelmente, é porque vem percebendo algumas alterações no seu humor, na sua disposição e no seu comportamento.

Porém, nem sempre a tristeza e o desânimo devem ser vistos como sintomas de depressão. Embora possam incomodar, tais emoções são normais — e não devem ser apenas encaradas como sinal de um transtorno psicológico.

Por outro lado, desprezar um mal-estar persistente (seja ele físico ou mental) nunca é uma “boa ideia”. Afinal, quando existe uma condição que exige tratamento, ignorá-la só tende a agravar o problema.

Então, como saber a diferença?

Acredito que os sintomas de depressão, detalhados abaixo, poderão te ajudar a identificar tais diferenças e saber se é hora de procurar auxílio profissional.

1. Excessivo sentimento de culpa

Cabe, aqui, um primeiro alerta para distinguir sintomas de depressão dos sentimentos que, apesar de indesejáveis, podem ser saudáveis — e até positivos — para nós.

Culpa, por exemplo, certamente é um sentimento desagradável. No entanto, sentir culpa não é algo que, necessariamente, resulte em prejuízo para nossa saúde mental. Por vezes, a culpa significa reflexão. E pode, inclusive, nos incentivar a fazer escolhas melhores, no futuro.

Mas veja que, ao começarmos esta lista com os sintomas de depressão mais comuns, destacamos que a culpa é um sinal de alerta quando ela se torna frequente e/ou excessiva.

Ou seja, é preciso prestar atenção na recorrência de pensamentos e sentimentos negativos. Isso vale para todos os sintomas que podem indicar depressão.

Quando a culpa é persistente, você pode ficar muito preso aos erros do passado. Pode alimentar pensamentos obsessivos em relação a coisas que não pode mudar. E, por consequência, acabar tão convencido de que “você é o problema” que passa a se privar das possibilidades do presente.

2. Perda de interesse, motivação e prazer em relação às atividades que você gostava

É claro que você pode mudar de interesses. E, de repente, aquele hobby que tanto o satisfazia começa a entediá-lo. Você também tem direito de enjoar de uma comida que sempre encantou seu paladar. Ou ter preguiça de sair de casa para comparecer a um evento social.

Perder o interesse por coisas que costumavam te estimular pode significar a vontade de quebrar a rotina. Ou apenas denuncia uma semana de trabalho muito intenso — que o deixou sem energia para aproveitar suas horas de lazer.

A falta de motivação e ausência de prazer, contudo, devem ser interpretadas como possíveis sintomas de depressão quando aparecem a todo momento. As semanas passam, novas oportunidades surgem, mas você não sente nenhuma vontade de se empenhar em alguma atividade (potencialmente) agradável.

Nessas circunstâncias, podemos falar em dois termos: apatia (falta de interesse e motivação) e anedonia (falta de prazer).

Ou seja, quando você se mostra indiferente e entediado com a vida, de um modo geral, isso pode ser um indício de que você está com depressão. Sendo assim, é importante agendar uma consulta com um psicólogo ou psiquiatra para obter uma avaliação profissional.

3. Desesperança e sentimento de inutilidade

A desesperança e a sensação de inutilidade são outros sintomas muito comuns da depressão.

Podem ser percebidos quando você não vê motivos para buscar novas experiências de vida ou sente que tudo que vier a tentar resultará em fracasso.

O sentimento de inutilidade costuma estar associado com autoavaliações bastante negativas e irrealistas, levando a pessoa a questionar e duvidar de seu próprio valor.

Nesses casos, é comum que mesmo situações triviais (pequenos contratempos, típicos do cotidiano) sejam interpretados com indícios de “defeitos” pessoais.

Em função da autodesvalorização (e consequente baixa autoestima) é possível que você se veja como o responsável por tudo que acontece de ruim ou dá errado em sua vida.

Claro, imediatamente após enfrentarmos certos obstáculos, decepções e perdas, é natural que tenhamos um olhar “meio duvidoso” sobre o futuro. Porém, com o tempo, também é natural encontrarmos a resiliência necessária para superarmos essa perspectiva negativa.

Contudo, se a perspectiva negativa permanece, a vida tende a se tornar muito difícil. Com o tempo, a pessoa se sente incapaz de solucionar até mesmo problemas e situações banais (que, em função de pensamentos distorcidos, sempre parecem mais relevantes e definitivos do que, na realidade, são).

Por fim, se a desesperança e o sentimento de inutilidade não são confrontados, eles podem dar lugar a mais um sintoma da depressão, muito preocupante, por sinal: os pensamentos de morte ou suicidas.

Alguns sintomas como insônia e hipersonia podem ser depressão.
A insônia ou a hipersonia são sintomas de depressão

4. Tristeza e sensação de vazio

Vamos começar esclarecendo que tristeza e depressão não são equivalentes — embora algumas pessoas digam que se sentem “deprimidas”, quando, na realidade, precisam apenas expressar sua frustração ou pesar com algum evento.

A tristeza é uma emoção, como qualquer outra. Logo, ela é temporária. Mesmo em momentos difíceis, como num processo de luto, ela vai diminuindo, aos poucos.

Conforme o evento que nos deixou triste é assimilado e aceito, outras emoções ganham espaço no dia a dia, ainda que a tristeza não desapareça completamente.

Já quando falamos em tristeza como um dos sintomas da depressão, ela adquire um caráter permanente. Ou seja, a pessoa se sente triste durante a maior parte do dia, praticamente todos os dias.

A presença constante da tristeza acaba interferindo nas atividades do cotidiano, afetando o trabalho, os relacionamentos, o autocuidado e a rotina doméstica.

Algumas pessoas podem chorar com frequência. Outras, podem evidenciar a tristeza por meio de atitudes ou expressão facial e corporal. Por meio desses sinais, aqueles que convivem com a pessoa que está com depressão podem notar que algo não está bem. Claro que nem sempre isso é possível, visto que demonstrar as emoções pode ser algo recriminado, mesmo hoje em dia, principalmente para os homens, o que faz com que se aprenda a fingir estar bem.

Além da tristeza, a sensação de vazio é bastante referida por pessoas que enfrentam a depressão. A perda de propósito e a incapacidade de sentir alegria, motivação e esperança são formas de descrever esse vazio.

Tal como a tristeza, a sensação de vazio pode ser temporária — refletindo um momento de ruptura, mudanças significativas, notícias ou resultados desagradáveis, por exemplo. Nesse caso, depois de um período em que se sente desolado, você consegue adquirir novas perspectivas e recuperar o ânimo.

Porém, se a sensação de vazio persiste, por semanas, é aconselhável procurar ajuda psicológica.

5. Mau humor e irritabilidade

Novamente, é crucial não confundirmos reações normais, diante de problemas do cotidiano, com os sintomas de depressão.

Mas o mau humor contínuo ou frequentes demonstrações de irritabilidade devem ser vistos com preocupação.

Se as mínimas coisas o deixam profundamente chateado, você percebe que não tem paciência e é agressivo com as pessoas ou nada é capaz de deixar seu dia mais alegre e “leve”, saiba que esses podem ser indícios de que você está com depressão.

6. Dificuldade de concentração e problemas de memória

Pensar com clareza, tomar decisões e manter a concentração durante uma atividade (profissional, acadêmica ou mesmo trivial, como assistir a um filme) pode se tornar um desafio para uma pessoa com depressão. Consequentemente apresentamos, problemas de memória.

A depressão pode fazer com que a pessoa esqueça de compromissos, conversas e até de coisas que fez recentemente.

Outra queixa comum é a dificuldade em tomar decisões. Com a diminuição da concentração, os esquecimentos, sentimentos de inutilidade, culpa etc., a autoestima é diretamente afetada, prejudicando a confiança na tomada de decisão.

Nem sempre todas essas questões estarão presentes. Mas mesmo que apenas algumas estejam presentes, podem já ser o suficiente para causar prejuízo à nossa saúde mental.

7. Cansaço e falta de energia

Você sabia que os sintomas da depressão variam bastante, de pessoa para pessoa?

Em alguns casos, são os sintomas mentais e emocionais (como os que descrevemos até aqui) que se manifestam de forma mais evidente.

Em outras situações, no entanto, o transtorno pode ser mais perceptível a partir de sintomas físicos.

Cansaço excessivo (e sem motivo aparente), sensação de que tudo está em “câmera lenta” (incluindo seus pensamentos, sua fala, sua capacidade de reação e seus movimentos) e indisposição acentuada (pouca energia para fazer coisas simples) são alguns sinais que podem ser observados.

A falta de motivação pode ser um possível sintoma da depressão
A falta de motivação e ausência de prazer, devem ser interpretadas como possíveis sintomas de depressão

8. Agitação ou retardo psicomotor

Mais do que a sensação de que as coisas estão em “câmera lenta”, a lentidão pode ser real e, assim, perceptível por outras pessoas.

Indícios do retardo psicomotor (lentidão) incluem:

  • Movimentos corporais mais lentos.
  • Pausas longas e volume reduzido da fala.
  • Olhar fixo.
  • Postura caída.

Porém, nem sempre os sintomas psicomotores da depressão se revelam por meio de movimentos mais lentos, pausados ou escassos. Por vezes, ocorre o oposto e é uma incomum agitação motora que chama a atenção.

Sinais de agitação motora incluem:

  • Incapacidade de ficar parado.
  • Torcer ou agitar as mãos.
  • Ficar movimentando os pés, quando está sentado.
  • Iniciar e parar tarefas repentinamente.
  • Falar muito rápido.
  • Puxar ou esfregar a pele, as roupas ou outros objetos.

9. Ganho ou perda de peso

Alterações no apetite também podem ser percebidos por pessoas com depressão.

Em certos casos, a pessoa acaba comendo bem menos que o normal. Às vezes, precisa até se forçar a comer alguma coisa, pois não sente vontade de se alimentar. Em função disso, é possível que a pessoa emagreça de forma significativa.

Outras pessoas podem notar o contrário: sentem mais fome, comem mais do que o habitual ou desenvolvem um apetite direcionado a certos tipos de alimentos (especialmente doces e carboidratos). Por consequência, podem observar um evidente ganho de peso.

Certamente, as oscilações de apetite também podem ter outras causas. Mudanças no estilo de vida, por exemplo, podem interferir na regulação da fome. Alguém que mudou o turno de trabalho, passou a se exercitar ou adotou uma nova dieta (só para citar algumas possibilidades), talvez note alterações em seu apetite. Nessas circunstâncias, a perda ou ganho de peso seria normal.

Entenda que, quando relacionamos alterações de apetite à depressão, não estamos sugerindo que apenas esse sintoma se manifesta. Para caracterizar o transtorno psicológico, outros critérios devem ser observados.

10. Insônia ou excesso de sono

Ocasionalmente, a insônia (dificuldade para pegar no sono, acordar durante a noite e demorar para voltar a dormir ou, ainda, acordar muito cedo e não conseguir pegar no sono novamente) ou a hipersonia (sonolência excessiva) são sintomas de depressão e fortes indícios de que pode ser necessário procurar por tratamento.

Nem sempre a pessoa associa os problemas de sono com o transtorno psicológico. Porém, como são condições que prejudicam significativamente o dia a dia, o incômodo acaba sendo determinante para a busca por um diagnóstico.

Entretanto, vamos repetir o alerta: ao identificar tais sintomas, não se apresse em concluir que você está com depressão.

As causas de todos os sinais que pontuamos aqui podem ser diversas, incluindo problemas de saúde física — hipotireoidismo, por exemplo.

Também é importante destacar que, quando sentimos algo que dura uma ou duas semanas para passar, pode ser normal, dependendo da gravidade da situação. Mas, ao perceber que um humor negativo está se prolongando por mais de duas semanas, há um forte indicativo de alerta.

Por fim, vale dizer que o objetivo deste texto não é funcionar como um teste para saber se você está com depressão.

Nosso intuito é, unicamente, te ajudar a perceber quando os incômodos que você está sentindo devem ser vistos com seriedade — e, portanto, justificam a busca por uma avaliação médica e psicológica.

Procurar tratamento é procurar qualidade de vida! Não se prive dessa possibilidade.


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